Anima e Animus: Desvendando as energias feminina e masculina dentro de vocêAproximadamente 4 min. de leitura

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Quando falamos em Anima e Animus não estamos apenas trocando rótulos, estamos apontando para dois modos de sentir, pensar e se relacionar que vivem dentro de cada pessoa. Jung1 chamou a Anima do lado feminino presente na psique do homem, e o Animus do lado masculino presente na psique da mulher. Esses não são “personas” conscientes, mas imagens arquetípicas que nascem do inconsciente coletivo e influenciam nossas paixões, escolhas e projeções.

Pense neles como dois polos psicológicos:

  • O feminino interior (Anima) costuma trazer sensibilidade, intuição, imagens poéticas e afetividade;
  • O masculino interior (Animus) contém assertividade, razão, autonomia e, em níveis mais maduros, a capacidade de dar forma às palavras e ideias.

Não se trata de estereótipos rígidos, trata-se de qualidades que podem e devem ser cultivadas em qualquer pessoa para que a personalidade fique mais completa.

A forma mais comum de contato com Anima/Animus é pela projeção, projetamos no outro qualidades do nosso próprio interior que não reconhecemos em nós. Um homem que idealiza a parceira como “musa salvadora” provavelmente está encontrando ali sua Anima projetada, uma mulher que busca sempre um parceiro que “diga o que fazer” talvez esteja lidando com um animus projetado. Essas projeções geram desilusões ou paixões intensas, porque o que amamos ou combatemos no outro é, muitas vezes, parte não reconhecida de nós mesmos.

Jung e seus seguidores, como Franz2, descreveram que anima e animus têm níveis de desenvolvimento. A anima pode aparecer como imagem da mãe, da amante, da sábia, o animus pode variar desde o homem físico e romântico até a figura de guia espiritual. Quando não diferenciados, esses arquétipos podem tomar conta da consciência, o que Jung chamou de “posse”, levando a decisões guiadas por imagens inconscientes e não por julgamento lúcido. Ou seja, um arquétipo mal integrado pode dirigir sua vida sem que você perceba.

Integrar Anima e Animus não significa “transformar-se no oposto”, mas acolher e reconhecer essas energias internas. Esse processo é central para a individuação, conceito junguiano que descreve o amadurecimento psíquico. Quando o homem recupera e dá espaço à sua sensibilidade afetiva, e a mulher se permite à sua força e autonomia interior, ambos ganham maior repertório emocional e relacional. Isso melhora a autenticidade nos vínculos e reduz a repetição de conflitos baseados em projeções.

Imagine uma mulher que, ao longo de relacionamentos, acaba atraindo parceiros pouco confiáveis. Após algum trabalho interno, que pode passar por terapia, sonhos ou escrita, ela identifica padrões, idealiza o parceiro e abdica da própria opinião. Ao reconhecer seu animus, a voz interior que a empurra a concordar, calar ou “salvar”, ela começa a recuperar a palavra e a autonomia. Com isso, deixa de projetar no outro o papel de provedor de sentido e escolhe com mais critério. Analogamente, um homem que foge de intimidade por medo de “perder o controle” pode descobrir que sua Anima está relegada ao silêncio, acolhê-la permite maior expressão afetiva e menos isolamento.

Como começar a trabalhar isso agora?

  • Observe suas reações intensas: Atração avassaladora ou rejeição forte costumam sinalizar projeção;
  • Registre sonhos e imagens: Arquétipos costumam falar por símbolos;
  • Pratique diálogo interno (imaginação ativa): Converse com a imagem que surge, pergunte, escute, anote;
  • Procure terapia de orientação junguiana ou que trabalhe com símbolos e sonhos para guiar o processo com segurança.

Anima e Animus não são rótulos de gênero, são recursos internos que, quando reconhecidos e integrados, ampliam a capacidade de amar, decidir e criar sentido. O equilíbrio entre essas energias é um convite à maturidade emocional, menos projeção, mais responsabilidade sobre o próprio mundo interno e, por consequência, relações mais verdadeiras e menos reativas. Se você aceitar olhar para essas figuras internas com curiosidade, elas podem se tornar aliadas poderosas na sua jornada de autoconhecimento.

Paz e luz.

 

1 – Carl Gustav Jung (1875-1961): Psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica. Jung expandiu a compreensão do inconsciente, introduzindo conceitos como arquétipos e o inconsciente coletivo, e enfatizou a importância dos símbolos e da jornada individual de autoconhecimento.

2 – Marie-Louise von Franz (1915-1998) foi uma renomada psicóloga analítica, pesquisadora e escritora suíça, uma das principais discípulas e colaboradoras de Carl Gustav Jung. Ela é reconhecida internacionalmente por suas profundas interpretações psicológicas de contos de fadas, sonhos e manuscritos alquímicos, e por suas contribuições significativas para a psicologia analítica.

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