Términos e sofrimentos amorosos: Como a psicanálise pode te ajudar?Aproximadamente 3 min. de leitura

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Quem nunca sentiu aquela sensação de que o mundo perdeu o colorido após o fim de uma relação? A dor de um término amoroso, muitas vezes, não é apenas uma tristeza passageira, é uma dor física, um vazio que parece impossível de preencher. No consultório, é comum ouvir frases como “sinto que perdi uma parte de mim” ou “não sei mais quem eu sou sem aquela pessoa”. E a verdade é que, do ponto de vista emocional, essa sensação de desmembramento faz todo o sentido.

Quando um relacionamento acaba, não perdemos apenas a companhia do outro no café da manhã ou as mensagens de “boa noite”. Perdemos os planos que fizemos para o próximo verão, a expectativa de construir uma família ou simplesmente a segurança de ter alguém que valida a nossa existência.

A psicanálise nos ensina que o sofrimento intenso não vem apenas da ausência da pessoa em si, mas da quebra da imagem que projetamos nela. O outro funcionava como um espelho, através do olhar dele, nos sentíamos desejáveis, inteligentes ou amparados. Quando o espelho se quebra, a nossa própria imagem fica fragmentada. É por isso que o desapego é tão difícil, desapegar do outro significa, em última instância, ter que lidar com o vazio que ficou em nós mesmos.

Imagine a situação: Você está no supermercado e vê aquela marca de café que ele(a) adorava. Ou passa em frente ao restaurante onde comemoraram o primeiro aniversário. Imediatamente, vem um aperto no peito. Esse “sofrimento afetivo intenso” acontece porque o nosso inconsciente não entende o tempo da mesma forma que o relógio. Para a nossa mente emocional, as lembranças são presentes.

Muitas vezes, a dificuldade de seguir em frente está ligada a uma tentativa desesperada de manter o vínculo vivo, mesmo que através da dor. Enquanto eu sofro e choro, eu ainda estou “com” a pessoa de alguma forma. O silêncio total, a aceitação de que a história acabou, parece ser a morte definitiva, e o ser humano tem um medo ancestral do vazio.

Você pode se perguntar: “Mas falar vai resolver o que eu sinto?”. A resposta não é mágica, mas é profunda. A análise não serve para “esquecer” o(a) ex, mas para compreender o que aquele vínculo significava para você.

Em uma sessão, começamos a investigar: Por que eu precisava tanto da aprovação daquela pessoa? O que nela me completava tanto a ponto de eu me sentir vazio agora? Muitas vezes, descobrimos que o sofrimento atual ressoa com dores antigas, de outros abandonos ou carências que ficaram guardadas.

A psicanálise ajuda a “desatar os nós”. Ao entender que aquela pessoa não era a única fonte de felicidade do mundo, mas sim alguém em quem você depositou suas próprias esperanças, você começa a retomar o que é seu. É um processo de reconstrução de identidade. Você deixa de ser “a ex de fulano(a)” ou “o namorado(a) de beltrana(o)” para redescobrir quem é o sujeito que habita aí dentro.

A reconstrução não acontece do dia para o noite. Ela passa por permitir-se sentir a raiva, a tristeza e, finalmente, a indiferença. A análise oferece um espaço seguro para que esse luto seja vivido sem julgamentos. Em vez de ouvir um “esquece isso, vamos para a balada”, você encontra um espaço para dizer: “hoje eu ainda sinto falta e está tudo bem, vamos entender o porquê”.

Com o tempo, o vazio deixa de ser um abismo e passa a ser um espaço de liberdade. Um espaço onde novas versões de você podem surgir, mais inteiras e menos dependentes da validação externa. O fim de um amor é, sem dúvida, uma das experiências mais dolorosas da vida, mas pode ser também o ponto de partida para o encontro mais importante de todos: O encontro com você mesmo.

Paz e luz.

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