Debate não é discussão, briga ou ponto de honra

Debate não é discussão, briga ou ponto de honra

Sempre que temos qualquer tipo de interação entre indivíduos ou grupos as divergências de ideias e formas de pensar fazem parte do contexto, ainda mais nos tempos atuais onde as redes sociais ampliam em muito o alcance e os envolvidos, esta dinâmica é normal, esperada e sadia, e naturalmente defender esses pontos faz parte do processo.

A grande questão é como se expressar, como argumentar, como se posicionar, como dizer ao outro, como convencer, e principalmente como respeitar as opiniões diferentes da sua.

Lembre-se que se você não permite ou respeita a opinião do outro, isso o torna intolerante, salvo quando as opiniões expressadas passam dos limites jurídicos, mas ai a abordagem é outra, também é muito importante salientar que respeito e concordância têm abrangências bem diferentes e também tenha em mente que alguém discordar da sua ideia não é uma ofensa mortal que exija que você reaja de forma emotiva ou intempestiva, lidar com as diferenças é parte de qualquer sociedade sadia.

Um debate não precisa que todos saiam com a mesma opinião e é quase certo que isso não acontecerá, não há nada de errado em ser assim, e não tem absolutamente nada haver com ganhar ou perder, os debates servem para expressar as ideias e as amadurecer, e as pessoas podem ou não mudar de ideia a partir deles. Também tem aqueles que apenas observam sem participar e esses também podem amadurecer, fundamentar, alterar ou não sua opinião. Quando todos são obrigados a ter a mesma opinião o nome disso é ditadura, lembre-se sempre disso.

Durante um debate naturalmente defendemos nosso ponto de vista, expondo-o aos demais, nos posicionando e buscando concordância com nossas ideias em algum nível, mas para isso é necessário argumentar com questões convincentes, com fatos, com ideias estruturadas e atitudes nessa linha, sendo que na grande maioria das vezes um “eu penso assim”, ou um “eu acho assim” sem qualquer base, não irá provocar uma mudança na forma de analisar do outro, note que desta forma você não forneceu nenhum subsídio que faça com que o outro reavalie sua posição.

Pare por um momento e lembre-se das discussões que tem visto, por exemplo, nas redes sociais, quantas seguem essa linha do “eu acho”, ou ainda atacam as pessoas em vez de se focar no argumento entre diversas outras coisas que mostra apenas o quanto se está despreparado para defender o ponto de vista.

Há uma teoria relacionada a essa questão que diz o seguinte em uma pirâmide de baixo para cima:

Ataque puro: É algo como você é fedido ou você é teimoso ou você é ignorante, esse é o ponto mais raso, não há qualquer argumentação;

Ad Hominem: Ataca as características ou autoridade do escritor, sem mencionar o argumento em si;

Resposta ao tom: Critica o tom da escrita, sem mencionar o argumento em si;

Contradição: Estabelece um caso contraditório, com pouca ou nenhuma evidência;

Contra argumento: Usa contradição com suporte de alguma evidência;

Refutação: Explica o erro em determinado trecho;

Refutação ao ponto central: Refuta o ponto central em si, devidamente embasado em evidências.

Perceba que a maneira mais eficiente é a refutação ao ponto central e na tentativa de justificar seus argumentos muitos ainda acabam caindo no uso de falácias, o que é muito comum, mas o que são falácias?

“O termo falácia deriva do verbo latino fallere, que significa enganar. Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. Na lógica e na retórica, uma falácia é um argumento logicamente incoerente, sem fundamento, inválido ou falho na tentativa de provar eficazmente o que alega. Argumentos que se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.” (Wikipedia)

Cito abaixo dois exemplos de falácias:

Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, os humanos não matam crianças. – Falácia da ambiguidade;

Apelo ao júri para que contemple a condição do réu, um homem sofrido, que agora passa pelo transtorno de ser julgado em um tribunal. – Falácia de apelo a emoção.

Veja mais detalhes e exemplos das falácias em Wikipedia

Outro ponto importante é dizer que debates não são brigas, você pode discordar e argumentar e isso pode muito bem ser feito de maneira educada e respeitosa, também é importante que você fale e ouça, espere a pessoa concluir sua fala antes de apresentar um contra argumento, interromper, apresentar destempero durante as falas e atitudes nessa linha também dizem muito sobre o seu despreparo e não convencem a outra parte.

Com esse mínimo de informação tem como avaliar as diversas argumentações nos debates e entender mais facilmente o que efetivamente é consistente para avaliar as diversas manifestações nos debates, sejam eles reais ou virtuais.

Paz e Luz

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